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Anos de Helplesness Blues, Ou A Prova De Que A Água do Estado de Washington É
Diferente
Por:
Dan F
Nos
encontrando agora na nova década de 20, percebemos o quão nostálgicas se
tornaram lembranças da década passada, e intrinsecamente a arte não é
diferente. Em um dos últimos anos de 2000, uma banda “Folk” de Seattle,
Washington (EUA), fechou a década com seu disco homônimo de estreia, mas abriu
a nova década com um disco totalmente novo do que foi proposto 2 anos antes, em
2011 o “Fleet Foxes” lança seu 2° disco: “Helplessness
Blues”.
Com a idealização primária do álbum elaborada pelo
frontman Robin Pecknold após o
término do trabalho anterior, a gravação e lançamento foram resultados de
alguns contratempos da turnê do 1° disco, como ensaios e sessões canceladas, ou
até shows marcados pelo então baterista Josh
Tillman, conhecido pelo pseudônimo “Father
John Misty”, que no momento perseguia também sua carreira solo, atualmente
muito prestigiada. Então com material escrito de um período de aproximadamente 2 anos a banda
começa a gravar em abril de 2010, em sessões corridas em diferentes locações
como West Hurley, Nova York. O Momento agitado acabou interferindo na vida
pessoal do frontman, custando a ele, na época, um relacionamento de 5 anos.
Ainda que rápida a produção, com guitarras e vocais gravados
em um take, a qualidade do trabalho em nada é afetada, tendo em si um trabalho
de extrema coesão lírica e musical. Nos deparamos aqui com a produção de Phil
Ek, produtor do disco anterior, e a introdução de novas sessões rítmicas feitas
pelo baterista Josh Tillman, sendo
esse seu único álbum com a banda, contando também com o baixista Christian Wargo e o multi-instrumentista
Morgan Henderson, assim como também
instrumentos elétricos que ganham mais destaque nesse disco como na faixa
inicial “Montezuma”, ou em guitarras acústicas que se diferenciam às do
disco anterior, com influências de Roy
Harper e Van Morrison.
Se tratando de conteúdo lírico, o álbum viaja através de
vários temas e reflexões como: a chegada da idade, e desgastes emocionais em um
relacionamento; pontos que talvez fossem implicitamente reflexo da situação de
seu compositor. Ainda temos referências a paisagens do Estado de Washington e
referências marítimas, como: o poema “The Lake Island Of Innisfree”, do
escritor irlandês William Butler Yeats;
e a estátua da sereia “Lorelei” que
dá título a uma canção.
Em suma, Helplesness
Blues é uma notória evolução sonora e lírica, que mantém a atmosfera
intimista de seu antecessor, mas na combinação de diferentes temas e arranjos
nos mostra uma diferente e mais elaborada introspecção, e é aqui que este
redator usa o termo clichê de se tratar de um: “possível amadurecimento”, devido
a todos os contratempos, que nas palavras do frontman valeram a pena, e nos
entrega um consolidado disco da última década, que pavimentou uma banda
atualmente aclamada; terminando com uma nota sendo tocada, que 6 anos depois
seria a primeira nota que abriria o disco seguinte “Crack Up”.

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