10 Anos de Helplesness Blues Ou A Prova De Que A Água Do Estado De Washington É Diferente

 

10 Anos de Helplesness Blues, Ou A Prova De Que A Água do Estado de Washington É Diferente

 

Por: Dan F







(Arte de capa de: Toby Liebowitz e Christopher Anderson) 


Nos encontrando agora na nova década de 20, percebemos o quão nostálgicas se tornaram lembranças da década passada, e intrinsecamente a arte não é diferente. Em um dos últimos anos de 2000, uma banda “Folk” de Seattle, Washington (EUA), fechou a década com seu disco homônimo de estreia, mas abriu a nova década com um disco totalmente novo do que foi proposto 2 anos antes, em 2011 o “Fleet Foxes” lança seu 2° disco: “Helplessness Blues”.

Com a idealização primária do álbum elaborada pelo frontman Robin Pecknold após o término do trabalho anterior, a gravação e lançamento foram resultados de alguns contratempos da turnê do 1° disco, como ensaios e sessões canceladas, ou até shows marcados pelo então baterista Josh Tillman, conhecido pelo pseudônimo “Father John Misty”, que no momento perseguia também sua carreira solo, atualmente muito prestigiada. Então com material escrito de um período de aproximadamente 2 anos a banda começa a gravar em abril de 2010, em sessões corridas em diferentes locações como West Hurley, Nova York. O Momento agitado acabou interferindo na vida pessoal do frontman, custando a ele, na época, um relacionamento de 5 anos.

Ainda que rápida a produção, com guitarras e vocais gravados em um take, a qualidade do trabalho em nada é afetada, tendo em si um trabalho de extrema coesão lírica e musical. Nos deparamos aqui com a produção de Phil Ek, produtor do disco anterior, e a introdução de novas sessões rítmicas feitas pelo baterista Josh Tillman, sendo esse seu único álbum com a banda, contando também com o baixista Christian Wargo e o multi-instrumentista Morgan Henderson, assim como também instrumentos elétricos que ganham mais destaque nesse disco como na faixa inicial “Montezuma”, ou em guitarras acústicas que se diferenciam às do disco anterior, com influências de Roy Harper e Van Morrison.

Se tratando de conteúdo lírico, o álbum viaja através de vários temas e reflexões como: a chegada da idade, e desgastes emocionais em um relacionamento; pontos que talvez fossem implicitamente reflexo da situação de seu compositor. Ainda temos referências a paisagens do Estado de Washington e referências marítimas, como: o poema “The Lake Island Of Innisfree”, do escritor irlandês William Butler Yeats; e a estátua da sereia “Lorelei” que dá título a uma canção.

Em suma, Helplesness Blues é uma notória evolução sonora e lírica, que mantém a atmosfera intimista de seu antecessor, mas na combinação de diferentes temas e arranjos nos mostra uma diferente e mais elaborada introspecção, e é aqui que este redator usa o termo clichê de se tratar de um: “possível amadurecimento”, devido a todos os contratempos, que nas palavras do frontman valeram a pena, e nos entrega um consolidado disco da última década, que pavimentou uma banda atualmente aclamada; terminando com uma nota sendo tocada, que 6 anos depois seria a primeira nota que abriria o disco seguinte “Crack Up”.  

 

 

 

 

 

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