Considerado um dos maiores nomes da música negra brasileira, Cassiano morreu aos 77 anos, no Rio de Janeiro, no dia 7 de maio de 2021.
Com o passar dos anos, e foram muitos anos, me deparei com Cassiano de novo. Ao entrar na faculdade, um colega meu estava ouvindo um disco chamado Apresentamos nosso Cassiano (1973), e lembro que aquilo pra mim, foi um choque. Eu sei que vocês podem estar surpresos, como eu pude demorar tanto para ouvir o mestre? Nem eu sei, só sei que depois daquele evento, eu baixei todos os discos dele. Ouvi todos. Foi 3 meses de pura intensidade e muito soul, até que me apaixonei ardentemente pelo soul, por culpa dele.
Recentemente a notícia da morte dele foi veiculada na grande mídia, e fiquei muito triste pela pouca recepção da notícia. Essa cara foi simplesmente quem trouxe o Soul para o nosso país, muito influenciado pelo Tim Maia é verdade - outro grande responsável pelo feito - , e dono de alguns sucessos do próprio Tim Maia. Cassiano foi relegado ao ostracismo pela incompatibilidade dele com a indústria e a ditadura. Mesmo ele não fazendo umas letras muito subversivas, nosso mestre não fechava com os gambé. Alias, para quê fazer letras de teor político se o próprio soul era marginalizado aqui pelos militares? Nordestino, Cassiano enfrentou muita dificuldade em fazer sua música, em vendê-la, comercializá-la. Foi vítima de muito preconceito na época, mesmo ele sendo dono de vários hits cantadas pela magnífica voz do Tim Maia.
Ao receber a notícia de sua morte, eu fiquei muito triste. Não é demagogia o que eu estou falando, fiquei um dia ouvindo tudo que eu amo dele. Com só quatro discos em sua discografia, nosso eterno músico parou de cantar após fazer uma cirurgia que lhe retirou um dos pulmões. Passados 30 anos desde seu último trabalho, Cassiano amargou um ostracismo que não era digno de sua grandeza. Fazia um som diferente, misturava bossa nova com soul, bahião com soul. Cantava sobre amores do passado como se ele nunca tivesse esquecido nada, um rapaz de um coração incurável. A morte dele me abateu demais, e só pude perceber sua importância muito tarde. Bem, descanse em paz, mestre. Eles te esqueceram, mas nós não. Escutem Couban Soul (1976) e o já citado Apresentamos Nosso Cassiano e se apaixonem, assim como eu me apaixonei pela música desse eterno.

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