Voz Suprema do Blues (2020) - Critica

Eu queria chegar aqui e dizer para vocês que eu amei o filme de Chadwick Boseman e Viola Davis, filme que recentemente disputou o Oscar de 2021, eu queria muito dizer que gostei, mas não caí de amores. Não que eu tenha achado o filme ruim ou de qualidade duvidosa, longe disso, mas o apanhado geral da obra não me agradou muito e irei explicar o porquê.

O novo filme do diretor George C. Wolfe é uma obra baseada em uma peça de teatro estadunidense do mesmo nome. Tendo como pano de fundo o blues e se ambienta na década de 20. O filme aborda a Mãe do Blues (Ma Rainey) e sua banda que vai para Chicago em uma turnê para também gravar um novo disco. No começo o filme se mostra bem interessante. Com paletas que focam numa tonalidade amarelada quente e com uma fluidez de câmera sensível, a película tem seus primeiros acertos.
Por exemplo, quando a personagem da Viola Davis, a Ma Rainey, entra no estúdio e vai caminhando na sala, nós percebemos uma movimentação que vai girando de forma suave e que não para. Quando estamos na sala da banda, os textos longos não diminuem em nada a movimentação leve, que ora alterna em planos plongé, e em outros não. Cada virada de tomada é um enquadramento alternado, novo, em meio a muito diálogo e isso é a coisa boa do filme.
Outro ponto interessante são as interpretações. Tanto Chadwick, que interpreta o arrogante Levee Green, Viola Davis que faz a Ma Rainey, o elenco de apoio como Colman Domingo, Glyn Turman e companhia, estão muito bem. Os longos textos e diálogos são bem escritos e afiados, principalmente quando rola os longos e sensíveis monólogos. Todavia, o ponto que não curti muito foram os exagerados embates. Do nada a tomada é alegria, piadas, e bang, é uma história triste de estrupo, mortes, canivetes e o final para mim, é extremamente exagerado, mesmo quando trata simbolicamente à liberdade usando um mero pisão nos sapatos. No entanto, as coisas boas do filme param aí.

De novo, não me entendam mal, A Voz Suprema do Blues está longe de ser um filme ruim, mas a indulgência do roteiro para o cinema me irritou um pouco. A gente percebe às interpretações, sabemos que todos ali estão atuando - sim, eu sei que é um filme ficcional, e todos estão de fato atuando, mas filme realmente bom é aquele que te vende uma "mentira real". O roteiro o tempo todo em fala e diz o quanto há racismo e isso se repete, repete e não deixa nós mesmos tirar nossas próprias conclusões. Se não é um monólogo, são fotos.
A Voz Suprema do Blues tem uma boa direção e é bem atuado, mas o roteiro é teatral demais para o cinema, exagerado. Se fosse no teatro, eu teria amado, porém no filme, eu não comprei. É muito exagero, diálogos forçados, bem escritos, mas forçados. Os simbolismos são esvaziados de indulgência, de forma bruta e o final só não é tão ruim porque, mesmo sendo exacerbado, tudo aquilo está imbuído de verdade quando aparece uma banda branca cantando a música de um negro explorado.

Nota: 6.0

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