Com a música "Nikki Darling", Prince revoltou muitos conservadores da época, e com isso, mudou a forma como à indústria estadunidense passou a vender seus discos.
Em 25 de 1984, Prince e sua banda The Revolution, lançaram o clássico e surpreendente "Purple Rain". Surpreendente porque o disco, ao contrário do que era na época, não tinha medo de se mostrar um disco comercial e para as baladas. No entanto, você se engana se pensa que esse álbum por ser comercial, era um disco ruim. Na verdade, longe disso. Purple Rain é a cereja do bolo da carreira do Prince, é aqui que ele mostra ao mundo sua identidade musical, seus vocais, sua autenticidade, e principalmente, sua categoria de som único.
Trazendo elementos de rock, blues, r&b, psicodelia, pop e funk, o álbum de estreia de Prince e sua banda foi um sucesso estrondoso na época. Também, o sucesso não era por menos. Cada faixa desse disco é um acerto primoroso. Guitarra que chora de forma magistral de lá para cá, contra baixo dando um pano de fundo sensacional, teclado ao velho e bom pop dos anos 80, bateria viciante, o bons e velhos falsetes lindos do cantor que eram sensacionais colocam esse disco como um clássico dos anos 80. Aqui Prince mostra como é possível fazer algo orgânico sem esquecer a boa e velha essência da música, que é o entretenimento.
No entanto, a ideia dessa matéria não é falar desse clássico de modo geral, mas sim falar da música "Nikki Darling", que de forma direta e explícita, foi a causa da censura na música estadunidense na década de 80. Por ser uma música de teor sexual - que passou a ser uma marca do artista durante sua carreira -, Prince conta a história de uma garota chamada Nikki, uma garota misteriosa que o cantor encontra em um saguão de um hotel se masturbando em público. Você pode acha: "tá, mas o que tem demais?", bem, é que naquela época, falar de sexo tão explicitamente na música pop mainstream era meio que um tabu.
A música até hoje tem várias interpretações. Alguns acreditam que, Nikki, na verdade é o diabo haja visto que a mesma exige uma assinatura de contrato do cantor para poderem transar. Alguns fãs dizem que isso é uma metáfora ao demônio já que a música blues, uma das grandes influências do cantor, era famosa por recorrer a esse tipo de brincadeira. Outros dizem que isso é uma metáfora para a sexualidade de Prince, visto que ele era sempre acusado de ser homossexual por seus trejeitos afeminados e vestimentas excêntricas, boato que o cantor veementemente negava.
Diante de tais teorias, a verdade é que a música caiu como uma bomba no cenário fonográfico, não muito por seu conteúdo sonoro (a música é MUITO BOA), mas sim por seu conteúdo "explícito". Tripper Gore, esposa de um político famoso chamado Al Gore, comprou o disco para a sua filha de 11 anos na época, e ao escutar o conteúdo da letra com a filha, ela ficou extremamente ofendida. Típico de uma cidadã de bem. No final, ela organizou e criou um grupo chamado "Parents Music Resource Center" - você encontra esse aviso hoje em dia em qualquer disco da terra do Tio Sam -, um grupo repleto de cristãos que se preocupava com o monitoramento de músicas com baixo calão ou com conteúdos sobre sexo e drogas. O resultado foi uma mudança significativa na venda dos discos, muitas gravadoras DEIXARAM de comprar direitos, contratar bandas, produzir discos. De certa forma, Prince é um influenciador direto de vários segmentos musicais que optaram na produção independente ou no não surgimento de várias bandas lá dos EUA.


Comentários
Postar um comentário