"Lola Corre E Talvez Você Frite"

 

Lola Corre E Talvez Você “Frite”


Por Dan F




 

Durante uma costumeira tarde de sessão caseira de filmes durante um fim de semana de descanso, me encontrei indeciso sobre o que assistir, algo que raramente acontece, então após assistir “Máquina Mortífera (1987)” pela 1ª vez, de forma, quem sabe despretensiosa, optei por ver um filme que há muito me foi recomendado. Um filme alemão de 1998 chamado “Corra, Lola, Corra” (“Lola Rennt”,  título original).

Esse filme me foi recomendado quando eu ainda era adolescente, em uma leitura sobre filmes com linhas do tempo confusas, ou coisa do gênero, mas enfim, a trama se desenrola em apenas uma tarde onde a protagonista que dá nome ao filme precisa arrumar 100 mil marcos alemães para o seu namorado, que trabalha como negociante para criminosos locais e corre risco de vida. Na cena inicial já é mostrado como a trama é afetada pelos acontecimentos mais triviais, entretanto, o aspecto que venho ressaltar aqui é a trilha sonora inserida nesses acontecimentos.

Antes mesmo do início da trama, na abertura do filme é possível notar que a trilha sonora se trata de algo marcante, seguida por um narrador que enuncia breves questionamentos metafísicos, que acaba sendo uma definição da atmosfera durante o filme todo, com exceção dos poucos diálogos. Se tratando de um filme experimental dos anos 90, o diretor Tom Tykwer, juntamente com os compositores Johnny Klimek e Reinhold Heil, nos inserem em uma nuvem de música eletrônica/dance/industrial que teve o seu auge nos anos 90, tanto no mainstream quanto em circuitos underground, músicas baseadas em experimentações às quais diversos compositores alemães já estavam habituados décadas antes.

Embora cada linha do tempo apresentada no filme seja subjetiva, a música presente em todas elas é o que nos imerge como expectadores, desde a pequena animação presente no começo de cada “corrida”, durante os pequenos trechos que mostram o futuro de cada personagem com quem a protagonista se encontra nas ruas, até o final; se tratando de uma consequência de absolutamente tudo àquilo que acontece durante cada uma das linhas do tempo.

Contudo, ainda que questionamentos filosóficos sejam o alicerce, a trilha sonora, com a participação da atriz Franka Potente, que interpreta a protagonista, traz em si grande parte da essência que explica o porquê do sucesso comercial e crítico de algo que foi um grande marco cultural de sua época, ressaltando pontos importantes como relações complexas da protagonista e seus entes queridos  e uma clara ideia do embate entre “liberdade e Determinismo”, “causa e efeito”, que permeiam a trama do começo ao fim.

 

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