Griselda Records: a nova sensação underground do rap americano

POW POW POW POW POW!

Se você é fã de rap e é um ouvinte assíduo do rap estadunidense, já deve ter ouvido falar da 'banca' Griselda Records. Criado pelo excêntrico Westside Gunn, em 2012, essa gravadora vem explodindo a cabeça dos fãs do gênero com discos sucessivos, de ano em ano, seja de qualquer um dos seus artistas. Encabeçando o núcleo, Westside também tem entre seus parceiros de coletivo: Conwey The Machine, Benny The Butcher, Armany César, Bold James, YN Billy e Mach Hommy - com esse último lançando seu disco recentemente, sendo para mim o melhor disco do ano até agora.

A primeira vez que ouvi um som da Griselda foi com um disco do Westside chamado "Flygod", lançado em 2016, ainda de alguma forma sobre a tutela da gravadora do Eminem. Lembro que tinha escutado, mas não achara lá essas coisas. Achei muito cru, bom, mas cru. Ano passado, Gunn lançou o que pra mim, é seu o melhor trabalho chamado "Pray For Paris", um disco muito sujo, com uma faceta que rejuvenesce o boombap 90's, mas com uma caricatura mais moderna, vamos dizer assim, trazendo uma estética mais palatável aos novos fãs do gênero fascinados pela vertente,  intercalando com vários adlibs que passou ser mais característico no trap. 

As letras dos integrantes desse coletivo não fogem muito do clichê do gênero, e é uma crítica que podemos fazer-lhes. O gangstar rap tinha 'morrido' desde o primeiro álbum do Kanye West, que sem querer selou do mainstream aquele tipo de música que falava só e exclusivamente sobre violência. Desde 50 Cent até então, nunca mais vimos rappers com letras violentas explodirem mundialmente, Freddie Gibbs, que é um dos meus favoritos, faz um coke rap, mas está mais atrelado ao underground assim como qualquer outro expoente de uma música mais agressiva, e ele é o único nome que fez algum buzzinho, porém nada muito além disso.

Recentemente à Griselda vem aumentando seu barulho nos states. A cada ano seus fãs aumentam, a qualidade dos seus discos também. Benny The Butcher já foi tietado pelo maior rapper da atualidade, Drake, e foi até convidado para fazer parte da gravadora desse último. Conwey The Machine, a cada trampo lançado, vem deixando cada ouvinte surpreso com a capacidade de escrita das suas histórias, são muito detalhes, nenhum verso é cuspido a toa, sempre tem um propósito. 

Cada integrante tem lançado discos bem aclamados, bem quistos. Nos fóruns, mundo afora, fãs debatem letras, referencias, discutem sample. É notória também a "estética" dos mesmos. Cada instrumental deles é um instrumental minimalista, com samples que se repetem a exaustão, cada beat é feito para um mc discorrer versos agressivos e bem rimados. É algo que você não encontra muito por ai
Esse ano, alguns discos saíram. Conwey The Machine lançou o bom "La Maquina". Benny dropou o "The Plug I Met 2", disco esse que ainda não ouvimos e tá na lista. Já nessa semana, Mach Hommy, outro grande liricista, dropou o "Pray For Haiti", um disco ácido, com roteiro de cinema. Versos que perpassam a criminalidade policial, violência entre gangues e a críticas assíduas as nações que estão nem ai para o Haiti. É algo extremamente fod@ e você deve ouvir. Ademais, Griselda é uma das melhores coisas que surgiu no rap norte americano e no boombap. O cenário underground do rap nunca morreu e todo ano tá surgindo algo digno de nota  com diálogos extremamente atuais. Se você é fã de algo bem escrito e também de fã de rap, escute-os.























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